[Crítica] Fuja

[Crítica] Fuja
Cinema é uma junção de vários fatores que se concluem numa boa obra quando realizados devidamente, especialmente no gênero suspense, onde temos três principais pontos a serem observados, sendo eles direção, atuação e roteiro. É claro que outros elementos como trilha sonora, cenário e etc. contribuem para o resultado da película, todavia esses três pontos merecem uma atenção maior, a baixa em qualquer um que seja pode ser uma queda visível na obra geral ou até mesmo a ruína da produção, o recente Midsommar (2019), de Ari Aster, inclusive, mesmo com suas boas atuações e uma ótima mão na direção, peca com um roteiro tedioso e se afunda por si só.

‌É partindo disso que analiso Fuja (Run, no original), novo suspense da Netflix que narra as dúvidas da adolescente Chloe (Kiera Allen) em relação à sua mãe (Sarah Paulson) quando descobre segredos ocultos em seu cotidiano. O longa é uma peça simples do diretor Aneesh Chaganty que, tal qual o exemplo citado no parágrafo anterior, falha em um dos três pontos essenciais mencionados: o roteiro, particularmente dizendo, o mais essencial dos elementos de um suspense bem feito, quiçá temos a entrega de um trabalho desbalanceado em sua qualidade. 

Fuja é, no todo, um suspense bem dirigido, Chaganty comanda com sabedoria as câmeras ao ponto de prender o espectador frente à tela, não só isso, mas o diretor direciona toda a tensão na personagem de Sarah Paulson, cuja forte atuação consegue fazer prender o fôlego do inicio ao fim. Paulson está estupidamente incrível, uma maestrina do gênero, sua performance é a que garante a total apreensão presente no longa, a personificação de sua personagem é amedrontadora nas faces da atriz. E sua parceira, Kiera Allen, não fica atrás, a jovem atriz sabe demonstrar o medo presente em tela e se supera nas dificuldades de sua personagem, além do fato de trazer uma grande representatividade visto que, assim como seu papel, Allen também é cadeirante. 

Todavia, afora as boas atuações e a direção orquestrada, o roteiro de Fuja é pacato, sua narrativa é tão banalmente decifrável que até mesmo se espera que algo de surpreendente acontecerá, mas trama alguma evolui e acontece exatamente como se prevê desde o início, um total desapontamento. O roteiro de Sev Ohanian co-escrito pelo diretor do filme, além de previsível, é superficial, as pistas são jogadas em tela e as respostas aparecem sem esforço algum, é uma subestimação tanto de Chloe, personagem de Allen, quanto do próprio espectador na capacidade de juntar os pontos.

Em partes, ao menos o último ato demonstra uma leve ousadia, um desfecho mais perspicaz em sua atitude, mas ainda sim refém da atuação de Paulson e Allen, é isto que resume Fuja na verdade, uma boa obra totalmente submissa ao talento de suas protagonistas e uma leve manobrada de seu diretor.  Uma pena, posso dizer, a obra possui um potencial tremendo em sua produção, mas desperdiçado no script simplório que não engaja. 

3/5