[Crítica] Minari: Em Busca da Felicidade

[Crítica] Minari: Em Busca da Felicidade

Simpatia é a palavra que define Minari, longa pouco movimentado do estadunidense Lee Isaac Chung (que também escreve o roteiro do filme) cuja narrativa explora a vida de uma família coreana que se muda para uma simples fazenda no estado do Arkansas em busca do tão esperado sonho americano. A premissa é simples, quase que superficial, mas tendo em vista que a história se baseia na trilha da própria família do diretor, fica evidente ao longo dos minutos passados o porquê da atenção detalhista que o cineasta coloca em tela e sua delicadeza mínima em pontos supérfluos. 

Mas esta atenção dobrada de Chung ao seu script carregam a trama da produção à um constante levemente monótono, nada acontece durante boa parte da narrativa exceto as tarefas diárias da família e suas dificuldades na adaptação em solo americano, isso mantém a história pouco interessante em seu início, falta algo à se comprometer, e perdura-se até uma real interação total com os personagens (passo longínquo de acontecer). Há sim momentos onde uma comoção maior poderia ser trabalhada, todavia tais cenas são de pouca atenção merecida, belas, mas ainda sim de emoção quase nula.

Conforme o decorrer do conto se desbrava, enfim fica claro que o roteiro realmente não foi feito para grandes surpresas, Minari é uma narrativa cuja temática se fixa em relações, seja com pai e filho onde o patriarca deseja passar conhecimento e demonstrar orgulho ao seu protegido, seja na relação do casal protagonista em sua conturbada vivência, na fixação do sucesso que Jacob (Steven Yeun) tem com seu trabalho ou na comunhão graciosa dos irmãos David (Alan S. Kim) e Anne (Noel Cho ) – estes últimos se destacando como ótimos atores mirins, mesmo Cho não tendo um espaço devido na trama. 

Steven Yeun, que muitos devem reconhecer da série The Walking Dead, surpreende com sua performance aqueles que o viram apenas no programa de TV, a carícia de sua atuação no papel de Jacob, o pai de família inspirador, é honesta e talvez fosse mais aproveitada numa dramatização maior do enredo. As cenas de Yeun ao lado de Han Ye-ri, intérprete de sua esposa Monica, são pontos mais altos que conseguem ganhar o espectador num início de narrativa, o ceticismo da personagem de Ye-ri bate de frente com o espírito livre de Jacob e rende bons momentos que rivalizam razão e emoção. 

‌A chegada da vovó Soonja (Yoon Yeo-jeong) é uma quebra sátira no ritmo centrado, sua sempre falada incomum personalidade no papel de avó eleva o astral da trama e cria novas ramificações de relacionamento na família. Na atuação calculada de Yeo-jeong, a interação da anciã com seu neto David evolui gradativamente de maneira amorosa e agracia o longa em sua tela apática. Tal relação é um dos poucos momentos onde o envolvimento do espectador com a história existe, é de um cômico singelo, inocente e carinhoso que apaixona em instantes curtos, mas duradouros.

A constância da fatiga é rompida voluntariamente em seus minutos finais, no único lance de ápice presente no roteiro, cuja significativa resume o longa naquilo que Lee Isaac Chung mostrou por toda sua escrita: a união da família. A falta de dramatização é o ponto baixo do longa, mas mesmo que cansativo, ‌Minari é rico em beleza, suas cores naturais simpatizam com o tema na permanência equilibrada de seu tom passivo, o diretor opta por não forçar os olhos em cores intensas na perfeita funcionalidade de retratar a narrativa como ela é, ou seja, um conto autêntico e espontâneo. 

3/5