[Crítica] Mundo em Caos

[Crítica] Mundo em Caos

‌Doug Liman vem de bons filmes estrelados por grandes nomes de Hollywood, como Tom Cruise em No Limite do Amanhã (2014), Matt Damon em Identidade Bourne (2002) e a dupla Brad Pitt e Angelina Jolie em Sr. & Sra. Smith (2005), filmes estes muito bem sustentados por sua ação cativante e roteiro maleável, mas tal sucesso não aparece em Mundo em Caos, novo longa do cineasta. Estrelado pelos jovens astros que explodiram em Hollywood nas grandes franquias recentemente, Tom Holland (Homem-Aranha) e Daisy Ridley (Star Wars), o filme de Liman é uma completa perdição na carreira desses nomes.

A história segue em um futuro distante onde as mulheres se foram e os homens são afetados por um “ruído” que tornam audíveis seus pensamentos, nisso temos Todd Hewitt (Holland), um jovem que encontra uma garota após ela pousar em seu planeta e resolve protegê-la do perigo iminente, é nessa aventura que Todd começa a descobrir segredos de seu planeta. Apesar de confusa, a premissa é sim convidativa em partes, mas acaba morrendo aqui mesmo em sua sinopse na tentativa falha de ser um diferencial, uma caminhada breve que não chega a lugar algum.

Vamos começar pela narrativa, Mundo em Caos apresenta um mundo caótico padrão liderado por humanos selvagens, segue seu início num básico de filmes de sobrevivência, dos atos à hierarquia, é desde esse começo nada instigante que já vivenciamos o neutro que está por vir. Imerso num planeta diferente, espera-se uma exploração de território novo, todavia, o roteiro do longa ignora o desconhecido e põe à frente a ignobilidade dos humanos, caráter fajuto já fichado, é como se diz: “estava com a faca e o queijo na mão”, faltou manuseio.

‌O foco do roteiro fixado no "ruído" que expõe os pensamentos dos homens a qualquer um inicialmente parece uma diferença na narrativa, mas pouco avança na mesma (talvez apenas como uma especial de habilidade especial para os personagens em alguns momentos), porém, é esse foco que atrapalha aquilo que poderia ser um respiro para o longa: o elenco. Presos nessa escrita que os faz conversar quase sempre apenas por pensamentos, nem mesmo Tom Holland ou Mads Mikkelsen conseguem garantir uma atuação favorável, suas expressões travadas durante toda a película contribuem na trama caída. Ao menos Daisy Ridley poderia ter uma performance menos escondida, mas falha tão quanto seus parceiros num desempenho vago.

‌Mundo em Caos é todo apagado, não há nada ali para de segurar, todo o elenco, trama e qualquer coisas dentro dele é mais opaca que Nick Jonas quando resolve atuar (quase impossível se lembrar dele nesse filme), Doug Liman se satisfaz com uma trama superficial e pouco inovadora, quase uma cópia barata da clássica animação de 2008, WALL·E, com a garota tecnológica do espaço e o sujo garoto apaixonado da terra (apesar, é claro, do filme da Pixar ser uma obra atemporal de várias camadas).

Ao menos o longa de Liman não se entrega totalmente ao clichê, embora isso não seja uma ressalva, ‌sua conclusão é tão fútil quanto a última 1h30 assistida até ali, acontecimentos fracos que pouco convencem se desenrolam até um desfecho que, brevemente dizendo, desanima o ato de ter iniciado o longa horas antes. Em suma, Mundo em Caos entrega-se como uma produção facilmente esquecível que pouco te convida a querer mais, no todo, um passatempo meramente risível.

 2/5