[Crítica] Nomadland

[Crítica] Nomadland

Chloé Zhao vem se tornando um nome forte dentro doa cinemas, a diretora chinesa de apenas 38 anos se tornou um ícone que vem crescendo dentro de Hollywood, indo de premiados longas como Songs My Brothers Taught Me à blockbusters como Os Eternos, um dos próximos filmes da Marvel Studios, Zhao encanta mais uma vez agora com Nomadland, a perfeição de uma história simples, forte e de grandes mensagens. 

Não é uma frase tão recorrente, mas costuma-se dizer que “a jornada vale mais que o destino”, Nomadland é exatamente sobre isso, o longa de Chloé Zhao (também roteirizado pela mesma) se passa no interior de Nevada num mundo pós colapso econômico onde Fern (Frances McDormand), junto à sua van, viaja pelas ruas fazendo bicos aqui e ali para se manter, vivendo ao estilo nômade – assim como diz o próprio título da produção. 

Curioso e animador a maneira como a própria protagonista sempre se denomina uma “sem casa” e não “sem teto”, como muitos a chamam, sua trajetória pelas estradas rurais e desertas retrata uma mulher independente que percorre Nevada em seu lar de quatro rodas numa vida solitária que não necessariamente busca companhia, mas que encontra bons parceiros ao longo de sua jornada. Nesses encontros casuais às vezes repetidos, histórias de vidas distintas são apresentadas e basicamente assumem a essência de Nomadland, um itinerário que passa por contos, mundos e pessoas incríveis.

Nessa bela premissa, a simplicidade e a beleza do roteiro de Zhao esquentam o coração e, junto à fotografia de Joshua James Richards, encantam em tela, as paisagens naturais se camuflam nas nuances de Frances McDormand durante a passagem da vida pacata de Fern. Por trás disso tudo, a trilha sonora de Ludovico Einaudi surge exuberante, ela agrada e conquista nos momentos ideais sem nunca ser de menos ou um exagero. 

Mas Nomadland não seria nada sem a performance aplicada de Mcdormand, que como sempre se entrega de corpo e alma aos seus papéis. Assim como em Três Anúncios Para um Crime (2018), a atriz se perde no espírito da personagem e não vemos a vencedora do Oscar Frances McDormand, mas apenas Fern, a nômade de Nevada. Suas expressões não oscilam e caminham com a trilha, pois assim como ela, nunca se excede ou se diminui, mas sempre atinge o ideal. 

Nomadland se inicia como um “road movie” aparentemente raso, mas se aprofunda instantaneamente na protagonista, uma verdadeira história íntima que presenciamos, ou melhor, vivenciamos. Este é um filme como poucos feitos, cada mínima cena traz em si todo um aspecto de humanidade que deleita e traz um certo sentimento de paz. Apenas guardem esse nome: Chloé Zhao, grandes coisas virão dessa assinatura. 

4,5/5