[Crítica] Invencível - 1ª Temporada

[Crítica] Invencível - 1ª Temporada

Desde os anos 2000 com o início da franquia X-Men, os filmes com a temática super-herói explodiu em Hollywood e vem se expandindo desde então, é na introdução do Universo Cinematográfico da Marvel em 2008 com Homem de Ferro que uma fórmula para este gênero é criada e desenvolvida desde então, aparecendo não apenas nos longas do famigerado MCU, mas também em outros estúdios, como Venom da Sony Pictures e algumas películas da DC Comics. E nesse mar de produções partidas dos quadrinhos nos últimos vinte anos, se torna um desafio criar um diferencial para se sobressair entre os demais, uma vez que a própria Marvel Studios e suas concorrentes fazem essa tentativa, mas falham construindo apenas boas narrativas presas sempre no mesmo rótulo, outras empresas ganham destaque saindo dessa caixinha e explorando outras possibilidades. 

Ok, temos a Warner Bros. também tentando se aventurar num tom diferente em seus filmes com a mão de Zack Snyder, mas não foge muito do comum, estamos falando de algo a mais, algo como o que a Amazon Prime Video está fazendo. Retentora de The Boys, série que mudou os olhos de muitos dentro do gênero em pauta, a Amazon surge agora com um novo projeto: Invencível, animação baseada nas HQ’s de Robert Kirkman (criador de The Walking Dead). Na trama, temos Mark (na voz de Steven Yeun), um adolescente filho de um dos maiores super-heróis da Terra, Ominman (com a bela voz de J.K. Simmons), que descobre seus poderes e resolve se tornar um guardião do planeta como seu pai.

Em base uma premissa simples, o jovem protagonista imerso num cenário novo de sua vida tentando equilibrar sua vida pessoal com as duras tarefas de ser um herói, chega até ser interessante como a série explora a questão da crise de identidade, um básico revisitado já visto em super-heróis como Homem-Aranha e outros. Nessa ambientação apresentada, a relação pai e filho de Mark e Omniman, ou melhor, Nolan, se desenrola de maneira calculada, de um lado um garoto que se espelha no maior herói que uma criança pode ter e do outro um mestre esperando orgulhoso o melhor de seu aprendiz, de fato tal relação lembra em partes Sky High, clássico sessão da tarde de 2005, são pequenos pontos neste elo entre ambos os heróis que caminham precisamente para os próximos passos do roteiro.

Aos traços atemporais de uma animação 2D, o diferencial de Invencível tem sua primeira aparição na selvageria que conduz os eventos em tela, ‌brutal, essa é a palavra que a define, o programa traz uma sequência de cenas que ultrapassam o nível de absurdo a ponto de sempre deixar o queixo caído, a brutalidade aumenta tanto quanto o sangue espirrado na abertura da série a cada capítulo passado. Invencível é de um teor visceral que equilibra os bons temas de sua trama ao lado do bárbaro uso da violência, na comparação com The Boys, aqui não temos uma máscara que esconde os âmbitos sujos dentro dos super seres, mas uma sina pessoal odiosa que se enxagua nos baldes de sangue, é uma fúria intensa, pura. 

‌O mistério percorrido durante os episódios é o grande trunfo de Invencível, depois de um piloto chamativo por sua violência explícita e impetuosa, todos os questionamentos levantados nesse primeiro capítulo martelam cada vez mais o espectador conforme a trama avança. Em decorrência à isso, o roteiro traz uma falsa sensação de esperança, é tudo muito imprevisível, a qualquer momento algo grandioso, revelador ou bestial pode acontecer, a tensão fica à flor da pele.

Quase uma moda atualmente, temos uma nova versão sombria baseada no maior herói da DC Comics, Superman, se antes vimos referências escancaradas como é Capitão Pátria em The Boys e outras mais modestas como Brightburn (2019), Omniman é um ponto entre ambos os exemplos trazendo traços do personagem da DC, mas com sua própria personalidade. Podemos dizer que ao invés dos demais que são praticamente cópias do mal baratas do Superman, Omniman é mais único, um ser com suas próprias camadas que se desenrolam à altura de o tornar, no todo, apenas uma referência simbólica ao escoteiro azul. 

Não apenas pelo seu formato de animação, mas também a narrativa de Invencível refresca a memória com suas semelhanças entre clássicas animações do gênero, como X-Men: Evolution, Super-Choque, Liga da Justiça – Sem Limites, entre várias outras, e tal qual essas, a produção da Amazon também tem, além de sua trama principal, ramificações que exploram outros pontos da história. Todavia, o foco central jamais é perdido, a trama se expande de maneira absurda para outros lados tanto em narrativa secundária quanto no forte aprofundamento de personagens coadjuvantes, como Eve Atômica e Robô, são detalhes simples que aproximam o espectador da história e seus participantes.

‌Invencível é um colírio para os olhos em meio à tanta mesmice de entretenimento barato, do início ao fim a série ilumina a mente com sua violência audaciosa, dando talvez apenas uma leve escorregada no último ato do capítulo final, cujo tom em que termina pouco condiz com os eventos decorridos e em (quase) nada aproveita sensação de luto deixada pelo oitavo episódio. Afora tal observação, a animação é excelente, sagaz, assombrosa e, tal qual seu protagonista, possuidora de um ideal... Invencível. 

Nota: 4,5/5