[Crítica] Love, Death & Robots - 2ª Temporada

[Crítica] Love, Death & Robots - 2ª Temporada

Love, Death & Robots é uma ideia fabulosa desenvolvida pela Netflix com grandes nomes por trás da produção, como Tim Miller (Deadpool) e David Fincher (Clube da Luta), que assim como Black Mirror passa por realidades únicas e diferentes no decorrer de seus capítulos. A série possui uma bela capacidade de criar curtas bem organizados mergulhados em animações caricatas que vão do realístico ao cartoon, capacidade esta já marca registrada da produção em sua primeira temporada. Independente da duração do episódio (que mesmo o mais longo não chega aos seus vinte minutos), cada capítulo é possuidor de um começo, meio e fim capazes de introduzir o espectador naquele universo em particular logo em seus instantes iniciais e o fazer criar sentimentos pelos personagens nos breves momentos em tela. 

‌Gosto de dizer que, apesar de termos esses episódios com começos, meios e fins, Love, Death & Robots traz pequenas partes intermediárias de um todo, são meios de histórias completas que iniciam e terminam de maneira abrupta instigando o espectador a imaginar o que mais aconteceria naquela narrativa, esse é um diferencial carismático da produção que deixa sua assinatura, quase que um sonho onde aparecemos em determinado local sem saber como chegamos e jamais sabemos seu real desfecho.

‌A primeira temporada da série, que consiste em 18 ótimos capítulos, chegou de surpresa para muitos com sua proposta, uma surpresa boa cuja qualidade despertou uma ansiedade tremenda ante ao segundo ano da produção. Todavia, a segunda temporada se apresenta em menor demanda tanto em quantidade quanto em qualidade. Entre os oito novos capítulos apresentados pela Netflix, pode se dizer que no máximo dois merecem um destaque maior, os demais pouco ganham em sua trama ou são meramente descartáveis, e nenhum sequer se aproxima da maestria dos grandes do primeiro ano, como o carismático Os Três Robôs ou o impecável Zima Blue.

Capítulos como “Esquadrão de Extermínio” e “Snow no Deserto” aparecem como os melhores nesta nova leva, mesmo que de impacto raso, introduzem um universo bem criado, uma produção bem feita e o ótimo desempenho de seus temas, sendo o primeiro mencionado (favorito da nova temporada deste que vos escreve) um bom episódio com romance e ação de alto nível, um dos poucos capazes de criar emoção em tão pouco tempo. Outro a se destacar é “A Grama Alta”, cuja animação mergulhada em traços de pintura óleo entrega um bom capítulo que traz à tona uma boa pitada de terror mediante uma situação desesperadora.

De fato, estes descritos acima são os únicos despertadores de uma certa atenção, “Pela Casa”, o mais curto e talvez o mais diferente da nova temporada com uma visão diferencial do bondoso Papai Noel é no máximo bom, mas nada promissor. Os anteriores a esse, como “Atendimento Automático ao Cliente” e “Gelo” são fracos, de pouca graça própria e prendem os olhos apenas por suas animações exageradas, assim como “Gaiola de Sobrevivência”, estrelado por Michael B. Jordan, um episódio que surge confuso e conturbado numa ação embaralhada que em nada inova em sua trama, apenas mais do mesmo na massa geral da série.

O segundo ano da produção se finaliza com “O Gigante Afogado”, uma ideia interessante, mas presa em uma narrativa tediosa e, no todo, maçante, um encerramento a altura da nova temporada. Triste dizer que, tal qual seu semelhante Black Mirror, a mão da Netflix pouco soube aproveitar tal conteúdo e diminuiu seu conceito numa execução nada proveitosa, e após tanto tempo, a espera pelos episódios inéditos de Love, Death & Robots não é recompensadora. 

Nota: 2/5