[Crítica] WandaVision

[Crítica] WandaVision

Durante toda a última década, a Marvel Studios mudou completamente a concepção de filmes de heróis nos cinemas, MCU hoje em dia não é apenas uma sigla, mas um resultado geral fruto da mente visionária do produtor Kevin Feige. Entre os acertos e falhas durante esses mais de 20 filmes do estúdio, Feige sempre tentou inovar, e de uma forma ou outra, conseguiu, mesmo refém de seu humor leve e descontraído, cada longa do Universo Cinematográfico da Marvel batalha para fugir do raso e contribuir na trama geral de sua narrativa compartilhada entre filmes, cujo ápice foi atingido em Vingadores: Ultimato. Mas o que fazer depois do estrondoso Utimato? Feige trouxe a resposta: séries deTV.

Logo na chegada do famigerado Disney+, com várias produções já anunciadas, Marvel Studios dá suas boas vindas em meio às séries de TV com WandaVision, uma história que trata de amor e luto após os ocorridos do “blip” do MCU. Posso te dizer que o programa é diferente de tudo já visto no Universo Cinematográfico da Marvel, o fato de ser uma série televisiva é só a ponta do iceberg nesse diferencial, todo o formato da narrativa é algo nunca feito antes no nas produções do estúdio, algo que destaca a trama e tira bons proveitos dela. 

Mesmo o humor é de uma essência pouco vista nos filmes da franquia, ele não é único, mas usa e abusa das premissas oferecidas em cada episódio com o estilo de série da década presente na narrativa. São de um humor datado (como os primeiros capítulos que trazem as clássicas risadas de público ao fundo), mas que, por mudar ao longo de cada episódio, não fica cansativo e tira boas risadas, além de é claro fazer ótimas referências e homenagens a antigas séries como Três é Demais, Malcolm in the Middle, Modern Family, entre outras.

‌No decorrer de seus episódios, WandaVision consegue transcender entre o humor leve ao drama familiar com maestria, aos poucos conhecemos segredos que explicam a trama e apresentam uma série brevemente melancólica. ‌Os efeitos visuais são de extrema qualidade, se não fosse uma série, poderíamos dizer que é um longo filme da Marvel Studios, e não é pra menos, devido ao orçamento milionário do programa. O figurino é um dos outros fortes da produção, sempre detalhado nos anos passados e presentes na função de englobar o espectador ao cenário.

O elenco se sobressai, mesmo os mínimos figurantes se mostram essenciais na construção da história, Agnes (Kathryn Hahn), Darcy (Kat Dennings), Jimmy Woo (Randall Park), Mônica Rambeau (Teyonah Parris) e outros personagens cuja menção poderia ser considerada um spoiler para aqueles que ainda não assistiram são peças fundamentais na trama que conquistam e deixam sua marca para o futuro do MCU. O próprio Paul Bettany, eterno Jarvis no MCU e agora Visão, aos poucos ganha seus momentos. Mesmo sendo um dos vingadores de maior poder dentro do grupo, o herói poucas vezes demonstrou nas telas, com Era de Ultron o único em que realmente ganhou espaço, sendo reduzido cada vez mais no decorrer do MCU. Em WandaVision não muda muito, mas não o leve a mal, a premissa da série nunca foi ação desenfreada, mas como já disse, um drama familiar que explora os sentimentos e pensamentos de cada personagem, é mais uma evolução interna do que externa dos heróis.

‌Mas a estrela do show é ninguém menos que sua protagonista, Elizabeth Olsen entra no pequeno círculo de atores participantes do MCU a entregarem uma atuação marcante, a performance da atriz no papel de Wanda Maximoff é brutal, sempre na medida certa. Olsen, assim como os episódios do programa, muda e se adapta às propostas dos capítulos explodindo sensações e causando emoção, ela sabe o que sua personagem sente em cada momento e consegue transmitir isso em tela sem pestanejar. Elizabeth Olsen nasceu para esse papel, todavia, em WandaVision a atriz mostrou que possui grandes habilidades em tela, provando que merece muito se expandir para outras produções. 

‌As surpresas e reviravoltas da trama são de cair o queixo em alguns momentos e garantem o famoso "gostinho de quero mais", mérito do formato televisivo com capítulos semanais de poucos minutos , que instigam a curiosidade e poucas vezes falham nisso. Dentro disso, a série se expande não apenas no próximo passo do MCU em sua escolha de contar histórias, mas também narrativamente, WandaVision é uma etapa que avança a trama geral dos longas da Marvel Studios e trazem grandes questionamentos do que poderemos ver nos próximos anos. Mesmo sendo a primeira de muitas produções para TV, já é certo dizer que o futuro da Marvel pode sim ser nessa aventura de colaborar suas séries com seus filmes, é um passo novo de Kevin Feige no seu pequeno mundo de filmes que pretende expandir em muito o MCU, uma escolha certa que garante boas promessas. 

WandaVision trabalha te incitando a acreditar ter algo de grande magnitude no geral, mas no fim, se resume a quase que uma terapia familiar sobre como lidar com luto onde Wanda supera suas extensas camadas de personalidade, e isso é muito bom. ‌Os minutos finais do último capítulo correm rápido para entregar um final a altura da trama até ali construída, a melancolia conduzida chega ao seu ápice na conclusão e, mesmo que ligeiros numa aparente pressa de finalizar a história, Marvel Studios e companhia conseguem seu objetivo: consolidar Wanda Maximoff como a heroína mais poderosa do MCU, aguardemos pelos próximos passos da fabulosa Feiticeira Escarlate. Stand By.

⭐⭐⭐⭐